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Culturama

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Plataforma foi criada para organizar a produção artística local

| Foto: Prefeitura de Juazeiro |

Artistas de Juazeiro, grupos culturais e profissionais da cultura que pretendem inscrever-se nos editais que o município lançará via Lei Aldir Blanc – Ciclo 2 devem fazer um cadastro no mapa cultural. O mapeamento é destinado a artistas de todas as linguagens, residentes tanto na sede quanto na zona rural. 

Segundo a prefeitura, a ação permitirá a construção de um diagnóstico completo do fazer cultural juazeirense, orientando políticas públicas, projetos e investimentos no setor.

O cadastramento já está disponível e pode ser realizado online, por meio de formulário digital disponível neste link. Também é possível entrar em contato através do WhatsApp da secretaria (74) 98818-7033. 



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Pesquisa da FGV mostra que projetos captados pela Lei Rouanet movimentaram R$7,59 a cada R$ 1 investido

| Foto: Victor Vec/MinC |

Por Anna Ortega / Nonada Jornalismo

Uma pesquisa inédita divulgada nesta terça-feira (13) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo Ministério da Cultura (MinC) revela que projetos realizados pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) impactam 89,3 milhões de pessoas por ano, além de gerarem 228 mil postos de trabalho, dos quais 120 mil são empregos diretos. O Nonada esteve na apresentação do estudo na sede da FGV, em São Paulo (SP). A iniciativa destrincha como o investimento cultural retorna para economia e para sociedade. 

Os dados levantados analisam 4.939 projetos executados em 2024. Segundo a pesquisa, a maioria dos projetos (76,7%) atuam com orçamento de até R$ 1 milhão captado. O total de projetos gerou R$ 25 bilhões para a economia, sendo que a cada R$ 1,00 investido na execução, movimenta-se R$ 7,59 economia brasileira. 

Outra informação importante é relativa ao pagamento de fornecedores e prestadores de serviço, dos quais 90% são de até 10 mil reais. “Isso significa que estamos falando de um efeito distributivo na economia, não de cachês milionários”, explicou o Secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural Henilton Menezes. 

O estudo constatou que, somente em 2024, 576 mil pagamentos foram realizados pelos proponentes de projetos, para mais de 1.800 tipos de serviços diferentes. Ou seja, os recursos contemplam uma variedade de despesas, como pagamento de pessoal, infraestrutura, cachê, acessibilidade, transporte, custos legais, etc. A análise foi desdobrada a partir da prestação de contas dos projetos realizados, do gasto real, e não do plano orçamentário. Nessas contratações, quase 90% são direcionadas a Pessoas Jurídicas (PJs), micro e pequenas empresas. 

“A Lei Rouanet gera uma credibilidade nos mercado para aqueles projetos culturais aprovados. Isso tem um efeito multiplicador, porque além do recurso da Rouanet, os produtores culturais passam a captar outros fomentos”, explica o gerente executivo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luiz Carlos Duque. Um dos diferenciais do estudo recém-lançado é o reconhecimento e a análise da captação de recursos de outras fontes, como patrocínios e apoios. Em 2018, a FGV havia estudado o impacto econômico da Lei Rouanet, porém de forma menos detalhada e abrangente.

A nova pesquisa contempla duas áreas não abarcadas anteriormente: os valores gastos com recursos de outras fontes, como patrocínios, e os recursos despendidos pelo público visitante e consumidor dos projetos culturais. “O grande diferencial é o público. Se o público vai a um espetáculo de teatro, identificamos os gastos desde o transporte utilizado, por exemplo”, explica Luiz. A pesquisa mostrou que a Rouanet movimenta diferentes setores da economia brasileira. 

Aumentos observados


Ao longo da história, o mecanismo se transformou, alcançando um quantitativo maior de projetos culturais em todo país. Em 2024, a renúncia efetiva, ou seja, o valor total captado junto às empresas, atingiu pouco mais de R$ 3 bilhões. O estudo mostra que esta é a primeira vez que existem projetos culturais aprovados  e em execução em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

Festivais culturais do norte buscam protagonismo na agenda sobre cultura e clima em preparação para a COP30. Em 2018, por exemplo, mais de 5.300 projetos foram apresentados para captação. Em 2024, esse número saltou para quase 14 mil projetos. O maior crescimento de captação foi na região Norte, um total de 439,39% em relação à 2022. 

Os dados obtidos são provenientes da plataforma SALIC, sistema que reúne dados a respeito de propostas de projetos culturais a serem incentivados pelo MinC por meio da Lei Rouanet. Na etapa qualitativa, a pesquisa ouviu proponentes responsáveis por projetos de diferentes áreas. No total, 7 áreas contempladas são: Artes Cênicas; Artes Visuais; Audiovisual; Humanidades; Museus e Memória; Música; Patrimônio Cultural. Segmentos como a literatura, editorial ou digital não são mencionadas. A área que mais captou foi a das Artes Cênicas. 

O perfil dos proponentes revela que 86%,7 são pessoas jurídicas, sendo que 35,8% são microempresas e 54% estão agrupadas em uma categoria múltipla, porque há uma alta participação de Entidades Sem Fins Lucrativos. Segundo o relatório da pesquisa, “tal dado demonstra que a Lei Rouanet atinge, sobretudo, empresas de pequeno porte e entidades com finalidade social.”

O evento de lançamento contou com a presença da Ministra Margareth Menezes, o Secretário Henilton Menezes, o economista Luiz Carlos Duque (FGV) e Jane Diehl, Gerente de Cultura e Direitos Humanos da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). Para Henilton, “a pesquisa é uma forma de identificar quais territórios ainda precisam de investimento.” Segundo ele, os gestores culturais e os investidores podem ter ideia do impacto. “É o mecanismo mais longevo da política cultural brasileira. Precisamos chegar ainda em mais lugar e, para isso, é preciso ter indução para que todos tenham o mesmo dinheiro para acessar os recursos públicos.”

Geração de emprego e renda na cultura


A pesquisa analisou as quatro etapas do ciclo de fomento da Lei, desde a aprovação do projeto na plataforma até à devolução de tributos, geração de renda, obtenção de apoios financeiros e não financeiros. Todo projeto aprovado e captado através da Rouanet tem uma conta bancária própria, da qual saem os recursos. A FGV mapeou que os valores estavam sendo direcionados e fez uma categorização a partir deste levantamento. 

Quanto ao gasto do público, os dados revelam que a Lei Rouanet beneficia um total de 89,3 milhões de pessoas, enquanto visitantes e espectadores dos projetos, sendo que 69,3 milhões tem potencial de consumo, ou seja pode despender recursos através do pagamento de ingresso, por exemplo. “O elo mais importante entre a economia e a cultura são as pessoas, a presença de público”, afirma Luiz. 

Considerando todos os projetos da Lei Rouanet que realizaram gastos em 2024, a execução foi responsável pela criação/manutenção de pouco mais de 228 mil postos de trabalho diretos e indiretos na economia do país. O número de postos de trabalho gerados na economia é a quantidade anualizada de ocupações em tempo integral gerados pelos gastos na execução dos projetos e pelo público participante, ou seja, é a quantidade de empregos que existe devido a estes gastos.

A cada R$ 12,3 mil investidos diretamente pela Lei Rouanet foi mantido, gerando 1 posto de trabalho na economia brasileira. “Se você comparar o setor cultural com outro, como a indústria automobilística, poderá ver que estamos gerando postos de trabalhos a custos razoáveis”, analisa o Doutor em Gestão Empresarial Aplicada. 

Revelou-se também que projetos estão sendo realizados em regiões periféricas das cidades brasileiras, mesmo que os proponentes sejam, ainda em maioria, oriundos das capitais. Segundo o estudo, 58,9% dos projetos atuam em áreas periféricas, urbanas ou rurais, ou em regiões consideradas vulneráveis. 

Foco no Norte, Nordeste e Centro-Oeste


Os dados apresentados por Henilton Menezes revelam um aumento expressivo de investimento nas regiões Norte e Nordeste. O secretário atribuiu o crescimento aos Programas Especiais e a uma retomada de interesse no investimento em cultura. “Temos feito reuniões setoriais para que as empresas invistam em projetos culturais”. O número de pessoas físicas, porém, ainda é baixo, representando 2% do total. 

Para Henilton, o processo de nacionalização é lento. “Um programa como o Rouanet Norte, de 24 milhões, se ampliou em 54 milhões. Colocamos o Norte na pauta, precisamos dialogar com as empresas da região”, afirma. “Neste ano, vamos lançar o programa Rouanet Centro-Oeste até que se tenha um equilíbrio e uma distribuição mais justa. Às vezes as pessoas perguntam se haverá Rouanet Sudeste, porém não haverá. Precisamos de um equilíbrio e uma distribuição mais justa”, afirma. O Secretário apresentou dados que mostram um aumento geral de empresas investidoras na Lei Rouanet. Em  2023, eram 4.626 pessoas jurídicas investidoras. Em 2025, são 6.253.

Em dados complementares, o Rio Grande do Sul aparece como um dos estados com maior investimento. O secretário comenta como os programas especiais tendem a induzir novos investidores. No caso do Rio Grande do Sul, após a tragédia climática de 2024, houve um efeito perceptível de maior investimento de empresas através do Programa Rouanet Emergencial RS. “Os estados de Roraima, Acre, Alagoas são os que menos têm projetos, mas ainda assim, temos. Alguns anos atrás nem mesmo havia”, analisa.

No final da apresentação, a ministra anunciou que o Ministério da Cultura deve encomendar uma pesquisa detalhada sobre o impacto econômico da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Anunciou também a modernização do Sistema SALIC, o que trará “mais eficiência, transparência e segurança para a política”.

Nota de transparência: O Nonada tem projetos aprovados e já realizados com apoio da Lei Rouanet

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Classe cultural baiana pode participar da construção de diretrizes das políticas públicas do setor

| Foto: reprodução do Google Street View |

A escuta pública para elaboração do novo Plano Estadual de Cultura da Bahia está disponível até 19 de janeiro de 2026. A Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA) convida a classe cultural baiana a participar da construção das diretrizes deste documento que vai orientar a política cultural do Estado entre 2026 e 2036. 

Os agentes culturais podem enviar propostas, indicar necessidades e sugerir caminhos para fortalecer a cultura em todos os territórios de identidade cultural da Bahia. A participação é aberta a artistas, produtores, coletivos, gestores, pesquisadores e demais realizadores da Cultura, por meio de formulário online que está disponível desde 3 de dezembro de 2025.

A iniciativa reforça o compromisso com a democratização das políticas culturais e integra o trabalho da Diretoria de Territorialização da Cultura (DTC), vinculada à Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), para ampliar a participação social no planejamento estratégico da cultura no estado da Bahia.

PLANO ESTRATÉGICO - O Plano Estadual de Cultura é o documento que organiza as diretrizes, metas e ações que vão guiar a política cultural da Bahia pelos próximos 10 anos. Funciona como um planejamento estratégico do setor, com definições de prioridades e eixos de atuação. Seu conteúdo fortalece a participação dos territórios culturais e garante a continuidade das políticas públicas conquistadas.



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 Em nota, Secretaria de Cultura de Juazeiro estuda reabrir editais cancelados da PNAB

| Foto: Prefeitura Municipal de Juazeiro |

A Prefeitura de Juazeiro (BA) cancelou o Edital Cultura Viva, que destinaria recursos para o fomento à cultura local por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O edital fazia parte de uma série de iniciativas que somam R$ 480 mil em investimentos.

Foram dois editais de incentivo financeiro lançados pela Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes (Seculte) de Juazeiro. O edital “Fomento” (007/2025) contemplaria propostas voltadas a três metas: formação e educação; registro e divulgação de ações culturais; e promoção de mostras culturais e artísticas. Já o edital “Premiação” (008/2025) premiaria dez coletivos com R$ 12 mil cada.

Segundo nota enviada pelo coletivo Abordagem Teatral, por meio do artista Elder Ferrari, a prefeitura não cumpriu o que está previsto em lei. “Houve todo o processo do edital, os projetos foram avaliados pelos pareceristas, assinamos o termo de execução do projeto, e, em 15 dias, o valor deveria ser pago aos artistas. No dia do pagamento, a secretaria cancelou. Não há nenhum documento com esse cancelamento no Diário Oficial. Foi um cancelamento ‘de boca’”.

Ferrari também afirma que o secretário interino, Brejnev Santana, não explicou o motivo do cancelamento, alegando apenas um erro interno. Os artistas contemplados pelo edital buscam soluções para o problema e cobram respostas da prefeitura, realizando reuniões com o Conselho Deliberativo - composto por representantes da sociedade civil e do governo municipal.

Em nota enviada ao Portal Preto no Branco, a secretaria de cultura informou que está sendo analisada a possibilidade de reabertura dos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), agora com a ampliação do número de vagas disponíveis para a Cultura Viva do município. “As informações quanto ao novo calendário serão divulgadas no site oficial da prefeitura e nos demais canais de comunicação da administração municipal”.

| Elder Ferrari | Foto: arquivo pessoal |


Veja a íntegra da nota enviada pelo Coletivo Abordagem Teatral sobre o cancelamento:


Nós, do Coletivo Abordagem Teatral, viemos a público expressar, com profunda indignação e extrema preocupação, o nosso repúdio ao cancelamento do Edital Cultura Viva, anunciado pela Secretaria de Cultura de Juazeiro.

Somos um grupo com mais de duas décadas de atuação contínua na cena teatral juazeirense. Ao longo desses mais de 20 anos, construímos um repertório artístico que contempla diversas montagens, apresentações em espaços culturais da cidade e participações em festivais dentro e fora do estado, sempre levando com orgulho o nome de Juazeiro.

Inscrevemo-nos no referido edital de maneira legítima, seguindo rigorosamente todos os critérios estabelecidos. Investimos tempo, energia, conhecimento técnico e recursos próprios para cumprir as exigências. Nos organizamos com seriedade, fizemos planejamento, articulamos nossa agenda, mobilizamos artistas, produtores e parceiros, confiantes de que estávamos lidando com um processo público comprometido com a legalidade e o respeito à cultura local.

Fomos surpreendidos, com imenso pesar, pelo anúncio do cancelamento do edital. Um cancelamento arbitrário, repentino, que ignora completamente o esforço das dezenas de grupos e agentes culturais que depositaram fé nesse processo. No nosso caso específico, estamos atualmente em fase de produção de três espetáculos, todos com estreia prevista para o mês de agosto. A ausência dos recursos previstos compromete a aquisição de figurinos, cenários e a manutenção das nossas atividades básicas, gerando prejuízos irreparáveis ao trabalho artístico e à dignidade dos profissionais envolvidos.

É inadmissível que um edital público, com resultado já publicado e premiados anunciados, seja tratado como algo descartável. Edital é coisa séria. Edital é compromisso. Edital é responsabilidade com a cultura e com os fazedores de cultura, que não estão brincando de ser artistas nem simulando um fazer cultural. Estamos trabalhando. Estamos vivendo disso. Estamos resistindo com arte.

Apelamos, com toda veemência, à sensibilidade do prefeito Andrei Gonçalves. Que ele olhe para a gravidade dessa situação. Que compreenda o tamanho do desastre que se abate sobre a cultura juazeirense. Que perceba que não se pode destruir sonhos, projetos e vidas culturais por falhas administrativas cometidas pela própria gestão. Se houve erro, que seja corrigido no âmbito da secretaria responsável, sem punir o lado mais frágil da cadeia — os artistas, os coletivos, os pontos de cultura que há décadas lutam para manter viva a chama da cultura popular, da arte, da memória e da criação.

A cultura de Juazeiro tem pressa. Tem urgência. E exige a seriedade que os processos públicos devem ter. Não se pode brincar com o trabalho alheio. Não se pode abandonar os que, mesmo em meio a tantas adversidades, continuam acreditando na potência transformadora da arte.

Juazeiro não merece esse retrocesso. O teatro não vai silenciar.

Elder Ferrari
Coordenador do Coletivo Abordagem Teatral



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 [T] Nonada Jornalismo

| Margareth Mezes toma posse em Brasília | Foto: Valter Campanato / Agência Brasil |

Em uma noite de festa e retomada dos fazedores e servidores da Cultura, que celebraram a volta do Ministério da Cultura (MinC), a cantora e compositora Margareth Menezes tomou posse como ministra nesta segunda (2) no Museu Nacional, em Brasília. 

Com um discurso que destacou a valorização dos artistas e trabalhadores da área, a importância do setor para a economia e a riqueza da diversidade cultural brasileira, incluindo as culturas periféricas e LGBTQIA+, Margareth propôs o “reencantamento de um país propositadamente desencantado”. A ministra da Cultura também lembrou suas origens afroindígenas  como motivadores do trabalho que deve fazer na área. 

“Sou cidadã brasileira de origem afroindígena, nascida na periferia do nordeste brasileiro, trago dentro do meu peito um amor pelo país diverso”, disse.“Saúdo o lugar em que nos reunimos agora, Encruzilhada física e simbólica que o exu monumental, o eixo norte-sul de Brasília desenha no coração do Cerrado, do Sertão brasileiro. Lugar de travessias que percorremos espiritual e corporalmente”.

Para Margareth, “a cultura incomoda, a cultura mexe, a cultura desobedece, e floresce, e por isso ela é também expressão democrática e de direitos”. Sob aplausos de um auditório lotado e com presença significativa dos servidores do MinC – que estavam alocados na secretaria especial da Cultura -, a ministra destacou também a luta que os profissionais da área travaram nos últimos anos, em referência aos desmontes promovidos pelo governo Bolsonaro. 

“Cultura é riqueza. Do carnaval vibrante e coletivo à poesia intimista da bossa nova, da arquitetura modernista ao modo de dobrar a palha do milho da pamonha, da sabedoria do repente ao rap transformador, do baile funk à ginga da capoeira, da literatura dita e escrita ao cinema, tudo é cultura, este núcleo estético e ético da vida. Temos no Brasil inúmeras carências de acesso a bens e serviços culturais, mas nunca pobreza”, defendeu.

| Cerimônia de posse ministra da Cultura, Margareth Menezes | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil |

Segundo a gestora, a cultura, além de contribuir com a economia, gerando mais de 5 milhões de empregos no país, também é essencial para as outras áreas que regem as políticas públicas. “Desenvolvimento social sem cultura é assistencialismo, saúde sem cultura é remediação, segurança sem cultura é repressão. As outras áreas precisam da cultura para serem elas mesmas”, completou, lembrando o legado dos ex-ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira  que implementaram uma visão tríplice na área das políticas culturais, valorizando as dimensões cidadã, simbólica e econômica da cultura.

“Existem aqueles que têm vergonha da cultura brasileira, do Brasil encantado, do Brasil profundo, do Brasil real, do Brasil que vive nas periferias, nos Sertões, nos interiores. Isso ocorre porque boa parte vive da ostentação da Cultura como elemento de distração e ornamento e não como algo vital”, argumentou, apontando o caminho para o qual ela deve guiar a cultura também no campo internacional. “Sabemos que as nações mais evoluídas socialmente e intelectualmente consideram a cultura como um poder de transformação. A cultura é como a força motriz de um povo. É como o sangue nas veias do corpo que leva os nutrientes vitais”.

Ao final do discurso, a ministra também anunciou alguns dos nomes que devem compor a estrutura do MinC, recriado no domingo com seiss secretarias, como o Nonada contou nesta matéria. Na secretaria executiva, estará o secretário nacional de Cultura do PT, Marcio Tavares.  

A Secretaria dos Comitês de Cultura será gerida por Roberta Martins; já  a de Formação, Livro e Leitura, por Fabiano Piúba; Zulu Araújo assume a Diversidade Cultural  e Henilton Menezes fica à frente da Economia Criativa, enquanto Marcos Souza assume a secretaria dos Direitos Autorais e Joelma Gonzaga fica com a pasta do Audiovisual. Outros nomes anunciados são João Akan na Fundação Palmares, Maria Marighella na Funarte e Marco Lucchesi na Biblioteca Nacional.

Veja o discurso da ministra na íntegra:



Defesa das culturas populares marca falas de artistas 

Muitas foram as menções dos artistas e personalidades presentes às culturas periféricas e à linguagem neutra, censurada no governo Bolsonaro. A noite foi de celebração mas também de expectativa, uma vez que o público estava ansioso para finalmente ouvir a fala da ministra da Cultura, negra, baiana e oriunda das culturas populares. 

Antes da fala de Margareth, o secretário executivo, Márcio Tavares, comemorou a volta do MinC. “Hoje a cultura toma posse na sua amplitude. E Margareth Menezes é a própria representação da cultura brasileira, da sua diversidade, representando o Brasil de um lugar que nunca deveria ter saído”. 

| Janja cumprimenta Margareth Menezes em posse da ministra | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil |

A primeira-dama e articuladora cultural no governo, Janja da Silva, lembrou do trabalho feito durante a campanha, que buscou ouvir o setor em diversas cidades. “Que esses quatro anos sejam de muita alegria e reconstrução, a cultura é peça fundamental na reconstrução do Brasil e da economia”, declarou. Ela também revelou que o quadro Orixás, de Djanira da Motta e Silva, voltará para o Palácio do Planalto após ser retirado por Bolsonaro. Segundo a historiadora Lilia Schwarcz, o quadro foi danificado por um furo na tela.

A mestra popular Martinha do Coco saudou a gestora:  “Viemos fazer arte na capital federal. Ministra, estamos aqui não para pedir, mas para te ajudar. Estamos voltando pra casa”.  Outra fala marcante foi a da poeta Elisa Lucinda, que desabafou sobre como a guerra cultural do governo Bolsonaro afetou os trabalhadores da cultura. “Para mim foi uma ofensa imensa ser chamada de ladra, de mamata, ver o público ser colocado contra nós. Agora é um trabalho de reconstrução subjetiva do país. O Brasil desenvolveu uma doença autoimune, não se reconhece e então mata quem é. Precisamos urgentemente recuperar nossa história”, pediu, lembrando do preconceito contra o funk e o rap e cantando uma música do MC Poze do Rodo, acompanhada pelo público. 

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 Publicamos a carta na íntegra

| Foto: divulgação |

Vereadores (desavisados) de Petrolina emitiram opiniões (partidárias) sobre um projeto cultural da cidade que faz muito mais pelos estudantes das escolas públicas do que os próprios parlamentares. Tudo baseado nas falas preconceituosas de "defender os pensamentos cristãos".

CARTA RESPOSTA DA CIA BALANÇARTE SOBRE A SESSÃO DA CÂMARA:

Na Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Vereadores de Petrolina, em 09/11/2021, a Cia. Balançarte de Dança foi acusada, pela Associação de Moradores no Núcleo Irrigado N 9, um pai de aluno e um pastor evangélico, de que a ação cultural apresentada em 27/10/2021, na Escola Estadual MN9 do N9-PSNC, teria ferido valores da família cristã, em contrariedade à Lei Municipal que barra debate sobre gênero e sexualidade em Escolas da Rede Pública. As acusações foram respaldadas pela maioria dos parlamentares presentes, chegando a atividade a ser nomeada como “nojenta e imunda”. 

A Balançarte é uma companhia de Dança que atua, na cidade de Petrolina e região, há mais de 15 anos e que, ao longo de sua existência, defende o fazer artístico vinculado à educação, com práticas pautadas na escuta sensível, no protagonismo juvenil, no respeito às diversidades de gênero, etnia e crenças, por acreditar que a Dança tem, dentre seus fins, ser veículo de formação e propagação de sujeitos mais críticos e ativos socialmente. 

O projeto em questão, Circuito de Dança nas Áreas Irrigadas, aprovado pelo FUNCULTURA 2017/2018, foi levado à Escola Estadual MN9-PSNC durante o mês de Outubro de 2021, com a participação de 30 (trinta) alunos e alunas, consistiu em oficinas, mostra pedagógica e apresentações de grupos convidados. Na culminância, oportunizou-se que os alunos elaborassem cenas artísticas, a partir das questões suscitadas pelos/as participantes. Em uma das apresentações, protagonizada por um adolescente negro gay, uma cena denunciou a violência contra as populações LGBTQIA+. Violência que tem sido fomentada pela postura do atual Governo Federal. Esta apresentação motivou a ação repressora promovida na Câmara Municipal de Petrolina.

O Brasil é o país que mais mata a comunidade LGBTQIA+ no mundo. Relatório divulgado pelo Grupo Gay da Bahia informa que, no ano de 2019, 329 LGBT’s (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) tiveram morte violenta no Brasil, vítimas da homotransfobia. Foram 297 homicídios e 32 suicídios, o que equivale a uma morte a cada 26 horas. Considerando a falta de política estatal na produção de informação, esses números tendem a serem ainda maiores em termos reais. O mesmo relatório aponta ainda que 40,62% das vítimas de suicídio estão entre 14 e 34 anos, ou seja, parte significativa dessas pessoas é jovem e em idade escolar. A recusa da família e comunidades religiosas em acolher suas identidades de gênero e sexuais é um dos motivos que mobilizam tal ato de violência e foi a discussão sobre esse assunto que pautou a ação artística. 

A temática trazida para o foco da apresentação também poderia ter sido contra as práticas de violência contra mulher e/ou populações negras, que também sofrem preconceito e violações, e que já estiveram em pauta em outros projetos da companhia, o que decorre de acreditarmos que é preciso aprender a conviver com as múltiplas possibilidades de ser no mundo. 

A Constituição Federal de 1988 garante em seu artigo 5º, como cláusula pétrea, a livre manifestação do pensamento, expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, (art. 5, incisos IV e IX), sendo vedada a censura. Bem como, assegura o direito à vida, saúde, educação e liberdade de gênero, sexualidade e credo. Assim, a atuação da companhia encontra respaldo e garantia na Constituição Federal.

Essa carta é direcionada à quem se coloca a favor da democracia e liberdade de expressão, à quem acredita na arte/educação consciente e responsável; à quem defende a liberdade de gênero e de credo e repudiam que a imunidade parlamentar possa ser utilizada como salvo-conduto ao preconceito e discurso de ódio. 

O nosso papel social de artistas e educadores/as vem sendo cumprido e esperamos apoio e coragem de todos que acreditam nos valores inerentes à vida, à liberdade e respeito à integridade dos corpos e diferenças. 

Att,
Cia. Balançarte de Dança.




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 Evento será realizado online durante dois dias

| Campus Zona Rural do IF Sertão PE |

O campus Petrolina Zona Rural do IF Sertão-PE realiza, nos dias 18 e 19 de novembro, o 1º Fórum de Políticas Culturais e 4º Encontro do Sertão Filosófico. Com o tema Arte e Educação: Novos contextos estéticos em tempos de desafios tecnológicos, a programação do evento apresenta palestras e mesas-redondas em formato virtual, através do canal de YouTube do campus. A abertura acontecerá na próxima quarta-feira (18), às 10h, com a palestra "Plano Institucional de Cultura do Instituto Federal Fluminense”, ministrada pelo coordenador de Políticas Culturais e Diversidade do IFF, Jonas Defante. 

"Transformar pesquisa em extensão e extensão em pesquisa. É por meio da arte e da filosofia que pretendemos fazer essa permuta de saberes entre a comunidade acadêmica e a sociedade em geral. Deste modo, o 1º Fórum de Políticas Culturais e o 4º Encontro do Sertão Filosófico é um encontro, como diz o ditado, do 'sapere aude', um encontro do gosto e sabor do saber, de apreciar a arte criticamente e da produção de políticas culturais”, afirmou o professor e um dos organizadores do evento, Gabriel Kafure.

Todos os interessados podem participar. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas através da plataforma IF Eventos. O Fórum é uma iniciativa do Núcleo de Arte e Cultura do campus Petrolina Zona Rural e do Grupo de Pesquisa Sertão Filosófico, cadastrado no CNPQ e vinculado ao campus Ouricuri.

Clique aqui para conferir a programação completa.

Clique aqui para se inscrever.

Texto: Ascom IF Sertão

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 Fórum Popular de Cultura de Petrolina mediará conversa com representantes da gestão municipal

| Reunião do Fórum Popular de Cultura realizada em fevereiro | Foto: Lizandra Martins |

Os recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc destinados ao município de Petrolina já foram repassados para a conta do governo municipal, segundo a Plataforma +Brasil, com pagamento realizado no Lote 03, na última segunda-feira (21). Para discutir como será a aplicabilidade dos recursos advindos da lei no municío, o Fórum Popular de Cultura de Petrolina realiza nesta quinta (24) uma conversa online com representantes da Secretaria Executiva de Cultura de Petrolina. 

A transmissão será realizada às 19h, no canal oficial do Fórum no Youtube. Participam representando a gestão cultural do município, o secretário executivo de Cultura, Cássio Lucena, o diretor de Cultura, Marcone Melo, e o agente cultural Sérgio de Sá. A mediação será feita por dois representantes do Fórum, o produtor cultural, fotógrafo e cineasta Chico Egídio; e a atriz, editora de vídeos e produtora cultural Camila Rodrigues.

Na ocasião, será debatido como o município irá executar os recursos da lei, um total de R$ 2.262.000,00. Entre as ações previstas no plano de trabalho disponível para acesso na plataforma do Governo Federal, estão ajudas aos espaços culturais e empresas artísticas, além de editais de apoio aos artistas. Esse momento é uma oportunidade para os/as trabalhadores/as da Cultura que tiverem dúvidas sobre como acessar os recursos da lei ou mesmo sobre o cadastro municipal fazerem perguntas aos responsáveis da gestão.

O Fórum Popular de Cultura de Petrolina é uma organização política autônoma de trabalhadores/as da Cultura de várias linguagens artísticas e que tem buscado o fortalecimento da classe cultural do município, visando o planejamento e execução de ações para promoção, valorização e democratização da cultura. Artistas do município podem se cadastrar para integrar o fórum no link. Mais informações podem ser obtidas nas redes sociais, como Instagram e Facebook. 



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Cadastros são necessários para aplicação da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc

| Todo o procedimento é feito através de formulários na internet |


Para administrar os recursos recebidos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc e aplicá-los da melhor forma, as prefeituras precisam de informações sobre quantos artistas há em seu município e qual a sua situação. Para criar um banco de dados, em Juazeiro e Petrolina estão abertas chamadas para cadastramento online de profissionais da Cultura.

Em Petrolina-PE, o Cadastro Cultural Municipal começou hoje (08). As inscrições são feitas virtualmente através de um formulário digital disponível neste link. É necessário também enviar alguns documentos via e-mail. O prazo para participar é até o dia 08 de agostos. Foi disponibilizado o telefone (87) 3861-5157 para tirar dúvidas, de segunda à sexta-feira, das 8h às 12h30.

No município baiano, os artistas estão sendo convocados desde o final de junho para preencher o formulário. O cadastro é feito online, divididos entre agentes culturais e entidades (grupos, espaços, empresas e outros). Os links estão disponibilizados no site da Prefeitura Municipal de Juazeiro. Dúvidas podem ser esclarecidas através do telefone  (74) 3613-0654, disponível de segunda a sexta-feira, das 8 às 14 horas.

O Governo da Bahia também está convocando os artistas do estado para preencherem seus dados no no Sistema de Informações e Indicadores em Cultura. A proposta é gerar indicadores da produção cultural nos 27 territórios de identidade baianos, auxiliando no planejamento e monitoramento de políticas públicas para o setor. O cadastro pode ser feito aqui. Mais informações estão no site da Secult-BA.

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Jornalista, repórter em TV e impresso. Pernambuco-Bahia.

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