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Após requalificação, espaço histórico passa a valorizar narrativas afro-indígenas e propõe reflexão crítica sobre o passado colonial do Recôncavo Baiano

| Foto: divulgação - Governo da Bahia |

por Iasmin Monteiro

Após uma ampla requalificação estrutural e conceitual, o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho reabre as portas ao público com uma proposta que vai além da preservação patrimonial, está diretamente ligada à história da Bahia, à arte e à educação. 

Instalado no histórico Engenho Freguesia, às margens da Baía de Todos os Santos, em Candeias (BA), o equipamento cultural inaugura uma nova expografia que reposiciona o olhar sobre o passado colonial e escravocrata do Recôncavo Baiano, colocando no centro da narrativa as vozes africanas, afrodescendentes e indígenas historicamente silenciadas. 

| Foto: divulgação - Governo da Bahia |

A reabertura marca uma mudança de paradigma: o museu deixa de ser apenas um espaço de memória para se afirmar como território de reflexão crítica, diálogo comunitário e educação antirracista.

Separamos vários motivos do por que visitar o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho:

Nova narrativa histórica:

O museu propõe uma leitura crítica do período colonial e da escravidão, rompendo com visões romantizadas e valorizando as experiências dos povos escravizados e originários.

Cinco núcleos expositivos inéditos:

A nova expografia é organizada em núcleos temáticos que abordam povos originários, povos escravizados, cotidiano doméstico, memória e história do engenho, além de espaços dedicados à reflexão e ao silêncio.

| Foto: divulgação - Governo da Bahia |

Valorização das culturas afro-ameríndias:

Fotografias, documentos históricos, obras de arte, grafismos indígenas e recursos audiovisuais colocam em evidência saberes, resistências e contribuições fundamentais para a formação do Brasil.

Experiência imersiva e educativa:

Ambientes como a Sala do Silêncio e o Núcleo Doméstico convidam o visitante a refletir sobre a violência da escravidão e as formas de resistência cotidiana, promovendo uma visita sensível e profunda.

Exposição “Encruzilhadas”:

Mostra de longa duração reúne obras de 40 artistas negros brasileiros e africanos, com nomes como Mestre Didi, Pierre Verger, Rubem Valentim e Emanoel Araújo, dialogando com a simbologia da encruzilhada como lugar de recomeços.

Patrimônio histórico restaurado:

O conjunto arquitetônico do século XVI, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), passou por restauro completo, incluindo a capela, imagens sacras e mobiliário histórico.

| Foto: divulgação - Governo da Bahia |



Acesso gratuito e inclusivo:

O museu oferece entrada gratuita, visitas guiadas, audioguia em Libras, banheiros acessíveis e áreas de descanso, ampliando o acesso de diferentes públicos.

Programação viva e integrada à comunidade:

Residências artísticas, oficinas, exposições colaborativas e ações formativas aproximam o museu do território e dos moradores do entorno.

Contato direto com a história do Recôncavo:

Visitar o museu é compreender, a partir do próprio território, a complexidade social, cultural e histórica de uma das regiões mais importantes da formação do país.




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 Projeto da Pipa Produções foi aprovado nos editais da Lei Paulo Gustavo Bahia

| Foto: Gisele Ramos / Agência Chocalho |

Começou nesta segunda-feira (19) a segunda edição do projeto Viagens no Tempo, iniciativa que, até o dia 30 de maio, levará 20 turmas de crianças das escolas públicas de Juazeiro (BA) para visitas guiadas no Museu Regional do São Francisco. As atividades são realizadas de segunda à sexta-feira, pela manhã, e têm como objetivo aproximar os pequenos e pequenas da história da região, despertando o interesse pela cultura local por meio de experiências lúdicas e interativas.

Na primeira manhã de visitas, participaram crianças da Fundação Lar Feliz e do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Quidé. A estimativa é que, ao longo de todo o projeto, cerca de 1.000 crianças sejam atendidas. Durante a programação, os pequenos são convidados a embarcar em uma verdadeira viagem pelo tempo. As crianças conhecem desde a formação de Juazeiro até os modos de vida antigos, com destaque para as embarcações e o papel do rio São Francisco. Um dos pontos altos da visita são as carrancas, esculturas tradicionais que os fascinam. “Gostei das carrancas, achei assustadora... gostei muito do passeio”, diz Maria Isadora Alencar, 7 anos, aluna da Fundação Lar Feliz.

Com linguagem acessível, atividades interativas e um olhar sensível sobre o patrimônio cultural, “Viagens no Tempo” é um convite a conhecer, valorizar e preservar a memória coletiva. Esse é um passo importante na formação de crianças mais conscientes de sua identidade cultural e do seu papel na preservação do patrimônio histórico da cidade.

| Foto: Gisele Ramos / Agência Chocalho |

O coordenador de mediação cultural do projeto, Adriano Alves, destaca que esta é a primeira edição realizada em um cenário pós-pandêmico —sem o uso de máscaras—, o que permite uma interação mais próxima das crianças. “Durante a visitação, temos vários momentos pensados para que seja uma experiência afetiva. A visita começa com uma contação de histórias. Em seguida, dois mediadores se dividem com turmas para fazer a visita pelos espaços do museu, levando as crianças com seus barquinhos a navegarem por toda essa história”, explica.

A professora Jessane Ferreira dos Santos, que leciona no 1º ano da fundação, participou da visita pela primeira vez e destacou o valor pedagógico da experiência. “É muito importante as crianças reverem o que passou. Isso fica gravado na mente delas. Para mim também foi interessante, principalmente a parte da odontologia antiga, pois meu filho é dentista e ver a diferença dos equipamentos foi marcante”, compartilha.

A educadora ressalta ainda como o conteúdo dialoga com a prática da sala de aula: “A visita abrange todas as áreas do conhecimento: português, matemática, história, geografia e ciências. E com o aniversário de Juazeiro chegando, tudo que vimos aqui será muito útil para desenvolvermos esses temas com os alunos.”

Outro destaque apontado foi o espaço expositivo que mostra como eram as casas antigas. Eliza Vitória Oliveira, de 8 anos, se encantou: “Gostei da sala, das roupas, da mesa”, diz a estudante do Lar Feliz.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal. Paulo Gustavo Bahia (PGBA) foi criada para a efetivação das ações emergenciais de apoio ao setor cultural, visando cumprir a Lei Complementar nº 195, de 8 de julho de 2022.


Texto e Foto: Agência Chocalho




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 Projeto da Pipa Produções tem incentivo do Edital Setorial de Museus 2019 do Governo da Bahia

| Crianças visitaram museu com mediação de artistas | Foto: Abajur Soluções | 

Olhares atentos e curiosos, conversas empolgadas, vontade e ansiedade de entrar no Museu Regional do São Francisco. Eram essas as expressões e emoções das, aproximadamente, mil crianças que participaram do projeto ‘Viagens no Tempo’, entre os dias 16 e 31 de agosto, em Juazeiro-BA. Toda essa agitação, era porque a maioria estava visitando o espaço cultural pela primeira vez. 

Essa viagem pela história do Território do São Francisco, através da visitação ao museu, foi encerrada ontem (31), após os 10 dias de mergulho na memória cultural do povo ribeirinho, a partir do patrimônio material guardado no museu. Adriano Alves, coordenador do projeto, diz que "a possibilidade de criar pontes entre crianças e os patrimônios da nossa região é empolgante para nós produtores culturais. Assim, esses futuros cidadãos se tornam defensores da nossa Cultura e sonhamos com uma sociedade mais consciente”. 

Na visita ao museu, crianças de 7 a 10 anos, vindas de 10 escolas municipais, puderam criar diálogos e conexões sobre história, arte, passado e presente. E foram os fósseis dos animais, que chamou a atenção de Hanna Oliveira de Carvalho. “ A gente viu o fóssil, eu achei impressionante o museu(...) a gente nunca pode esquecer as coisas antigas”,diz a estudante da Escola Municipal Professora Leopoldina Leal. 

Muitos professores enxergam na visita uma atividade que fortalece o processo pedagógico desenvolvido em sala de aula, pontuando que muito do que foi visto durante o passeio pelo museu pode ser explorado na escola e que esse contato das crianças com novas experiências desperta vontade nos estudos. “Para as crianças foi muito bom. A gente não precisa nem perguntar, antes de chegar na nossa sala de aula, porque a gente já viu no rosto de cada um a inquietação, a empolgação. E essa inquietação terá continuidade na escola”, afirma a professora Joseny Lima de Souza. 

| Contação de histórias foi montada pela Trup Errante | Foto: Abajur Soluções |

Durante a visita, as crianças foram estimuladas a valorizar o Patrimônio Histórico da região, seja ele material ou imaterial. E também puderam acompanhar a contação de história ‘As Guardiãs das Lendas’, da Trup Errante. A história apresenta três mulheres importantes na preservação das lendas locais, a historiadora Maria Izabel Muniz Figueiredo, conhecida como Bebela, a professora Maria Franca Pires e Elizabete Matos Medrado da Silva, mais conhecida como professora Betinha do Bumba meu Boi.

O diretor Thom Galiano comenta que contar a história dessas guardiãs foi uma forma de trazer o patrimônio imaterial para o projeto. "A gente ficou pensando nessa ideia da memória imaterial, porque o museu tem a memória material, então, por isso a ideia de trazer as mulheres (..) É claro, a gente ficcionou um pedaço da vida delas, pra dizer que as três foram contemporâneas na infância”, relata. A contação trouxe Bebela, Betinha e Maria como crianças, narradas pela atriz Zuleika Bezerra. Ela explica que “assim as crianças entram muito na história, querem participar, dar a opinião delas. Então, terminou que foi uma coisa natural, e eu comecei a me divertir com elas”. 

No momento da contação da história, as crianças são estimuladas a serem as próximas guardiãs e guardiões das lendas do São Francisco. Zuleika destaca que nesse momento uma criança chamou sua atenção. “Quando eu disse, agora vocês vão ser os guardiões das histórias, ele recebeu aquilo. Foi uma coisa tão bonita”, conta.

O projeto ‘Viagens no Tempo’, aprovado no Edital Setorial de Museus 2019 do Fundo de Cultura da Bahia e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - IPAC, é realizado pela Pipa Produções e contou com a parceria do Museu Regional do São Francisco e da Secretaria Municipal de Educação de Juazeiro. 





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‘Viagens no tempo’ é um programa de mediação cultural aprovado no Edital Setorial de Museus 2019 do Fundo de Cultura da Bahia

| Crianças de escolas de Juazeiro em visita ao museu da cidade | Foto: Tássio Tavares |

As carrancas, as embarcações e os trilhos de trem que cortam a cidade de Juazeiro da Bahia são patrimônios que guardam sua história e contam sobre seu povo. Esses bens são celebrados hoje (17), Dia do Patrimônio Histórico e estudantes de escolas municipais de Juazeiro estão tendo a oportunidade de conhecer um pouco mais de perto a Cultura do Sertão do São Francisco, através da visita ao Museu Regional do São Francisco, que é uma ação do projeto ‘Viagens no Tempo’.

As crianças da Escola Municipal Educandário João XXIII foram as primeiras a embarcarem nesta viagem, que iniciou ontem (16) e chegará ao final no próximo dia 31. A proposta  é atender 100 crianças por dia, com duas sessões de 50 participantes, totalizando mil estudantes contemplados/as nos 10 dias de atividades. O apito da locomotiva toca às 08:30 anunciando que é hora da primeira turma iniciar sua viagem. Logo mais tarde, às 10h, o apito avisa que chegou o momento da segunda turma visitar o museu. 

Durante o tour, as/os pequenos/as visitantes conhecem o acervo que contém fotografias, pinturas, equipamentos náuticos do Rio São Francisco, louças, estandartes, cartas, entre outras peças; e escutam e interagem com a contação de história que envolve o Velho Chico e suas lendas. Além da visita guiada, o projeto produziu um livrinho para distribuir para as crianças. O material educativo mostra outros pontos culturais da cidade e rememora a ida ao museu, a partir de atividades contextualizadas, como caça-palavras e espaço para desenhos. Toda essa metodologia visa fortalecer os laços dos/das  estudantes com a cultura local e sua história, além de contribuir com a formação de futuros/as cidadãos e cidaãs que valorizem o patrimônio histórico e imaterial da região. 

O trem que viaja no tempo

As crianças não esconderam o encantamento com o que viram. Um momento especial  despertou o olhar curioso de  Paula Fernanda, 10 anos. “A contação de história foi muito legal, a lenda do rio”, conta a estudante que nunca tinha ido ao museu. “Eu não sabia que tinha um museu aqui”, acrescenta. Na mesma turma, o estudante José Heitor, 09 anos, destaca os objetos como elementos que aguçaram seu olhar. 

| Mary Ane Nascimento (na foto) e Rafael Moraes acompanham as turmas | Foto: Tássio Tavares |


“As crianças sempre tem um olhar curioso e atento, muito encantado com os objetos, pois é algo anterior ao tempo deles. Muitas perguntaram de onde vinham e relataram já terem visto alguns objetos e imagens parecidas nas casas de seus avós ou na própria casa”, comenta Mary Ane Nascimento, mediadora cultural que guiou a turma durante a visita. 

Objetos que estão carregados de memória e elementos históricos podem contribuir  para o processo de aprendizagem e para o desenvolvimento dos conteúdos curriculares trabalhados pelas escolas. “Essa iniciativa é de suma importância, até porque traz o resgate das raízes, das origens. Eu sempre valorizo muito o estudo do contexto. Estudar primeiro no contexto qual a criança está inserida para que ela conheça um pouco da sua história”, declara o educador Emanuel Ferreira da Silva, que levou os alunos para o passeio.  Ele complementa que a visita ajuda a compreender as questões antropológicas, históricas e sociológicas do território, afirmando que isso vai ajudar as crianças a “valorizarem esse momento atual, valorizarem mais o local onde vivem".

A gestora da escola contemplada, Cristiana Coelho, acrescenta que a contação de história, realizada pela Trup Errante, enriquece ainda mais a atividade. “A contadora traz para nossas crianças as lendas do Velho Chico, de uma forma que os alunos brilham o olhar e a gente percebe realmente que eles entenderam. O encantamento é de uma maneira assim brilhante”, afirma a gestora. 

A seleção das escolas  se deu a partir da Secretaria Municipal de Educação, parceira do projeto, que foi aprovado no Edital Setorial de Museus 2019 do Fundo de Cultura da Bahia e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - IPAC. ‘Viagens no Tempo’ é realizado pela Pipa Produções e conta com a parceria do  Museu Regional do São Francisco. Para Rosy Costa, diretora do museu, a proposta do projeto é interessante e, no formato que está sendo executado, coopera para fortalecer a visão dos instrumentos culturais como espaços vivos. “A movimentação com as crianças, com as escolas é muito boa. Os espaços são vivos, é um trabalho muito legal”, declara Rosy.

[T]  AsCom Agência Chocalho
[F] Tássio Tavares


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Museu do Sertão está disponível para visitas virtuais

Museu do Sertão em Petrolina-PE

Fundado em 1973 e contando com mais de mil metros quadrados, o Museu do Sertão, localizado em Petrolina-PE, é um dos equipamentos culturais mais antigos da região. O equipamento que recebe milhares de turistas durante o ano encontra-se fechado, seguindo as medidas de isolamento social e prevenção da saúde contra o novo coronavírus. Mas, as pessoas podem continuar a visitação de forma virtual, sem sair de casa.

As mais de três mil obras do acervo que contam a história do homem sertanejo e um recorte da memória de Petrolina estão disponíveis online em um tour virtual. O acesso é gratuito através do site https://www.valetourvirtual.com/museudosertao/, disponibilizado pela Prefeitura de Petrolina. O acesso é bem simples, passando as páginas e utilizando o mouse para se aproximar das obras.

Carrancas expostas no Museu do Sertão

O espaço é dividido em alas, como: Acervo Arqueológico; Fauna e Flora; Casa Sertaneja; Jardim Sertanejo; Cultura e Economia; Navegação; Petrolina Ontem; Religiosidade; e a Galeria dos Prefeitos. Para explicar melhor cada parte do acervo, foram disponibilizados vídeos no canto da tela que contextualizam as obras através de falas de especialistas nos temas, como professores universitários da UPE e Univasf. Há a descrição em libras dessas informações, tornando o passeio mais acessível.

Ala da Fauna e Flora no Museu do Sertão


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