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Culturama

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Mostra reúne registros fotográficos de mais de um século do carnaval juazeirense e presta homenagem ao artista Geraldo Pontes

| Foto: divulgação |

por Eduarda Silva

A exposição “Juazeiro é Carnaval” está em cartaz no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro, e reúne registros fotográficos que documentam mais de um século de carnaval na cidade. A mostra apresenta imagens produzidas entre 1914 e 2023, evidenciando o carnaval como parte da memória cultural e da identidade local.

A exposição marca o encerramento do projeto Acervo Maria Franca Pires: memória e história cultural de Juazeiro, contemplado pelo edital nº 029/25. Ao longo do projeto, foram realizadas ações formativas com professores e escolas, voltadas à importância dos acervos históricos e da pesquisa com memória. 



A mostra surge como desdobramento desse percurso e tinha como objetivo um tema que dialogasse como a memória afetiva dos juazeirenses. Segundo Laís Lino, uma das curadoras do projeto, o Carnaval foi escolhido quase de forma imediata, devido a sua presença contínua na história da cidade. 

“O carnaval de Juazeiro reúne histórias de celebração popular, fantasias, troças, blocos, clubes e música, atravessando gerações e construindo parte significativa da identidade cultural local.”

A exposição também presta homenagem a Geraldo Pontes, artista, carnavalesco e educador juazeirense. Atuando desde 1981 na criação de fantasias, Geraldo acumula premiações e reconhecimentos em nível nacional. 

Parte das imagens, fantasias e registros apresentados integra o acervo pessoal do artista, reunido pela curadoria como forma de reconhecer sua contribuição para o carnaval de Juazeiro.

A mostra segue aberta à visitação até o dia 10 de março, de terça a domingo, das 08h às 21h, no Centro de Cultura João Gilberto.



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De passo em passo, ritmo se espalha do litoral ao sertão

| Foto: redes sociais |

9 de fevereiro, dia do Frevo. O ritmo que nasceu da resistência, começou como ocupação de rua, e hoje é identidade reconhecida mundialmente.

Vem conhecer essa história com a gente!



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Atriz de Vidas Secas transformou sua própria história em símbolo de um cinema comprometido com o Brasil real

| Foto: reprodução do filme Vidas Secas |

por Iasmin Monteiro

Natural de Sento Sé, no interior da Bahia, Maria Ribeiro construiu uma trajetória singular no cinema brasileiro. Imortalizada como Sinhá Vitória no clássico longa-metragem “Vidas Secas” (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos, a atriz tornou-se um dos grandes símbolos do Cinema Novo, movimento que redefiniu a linguagem audiovisual no país ao colocar em cena o verdadeiro Brasil com suas desigualdades e resistências.

Registrada como Maria Ramos da Silva —nome escolhido por ter nascido no Domingo de Ramos, em 25 de março de 1923, embora o cartório indique o dia 26—, ela foi a caçula de sete filhos de uma família de trabalhadores rurais. A infância começou no povoado do Boqueirão, em Sento Sé, área que décadas depois seria submersa pelas águas da Barragem de Sobradinho. 

Ainda muito pequena, aos três anos, mudou-se para Juazeiro (BA), para viver com um casal de tios. O que seria uma estadia temporária acabou se transformando em um novo destino: aos cinco anos, seguiu viagem de vapor pelo rio São Francisco até Pirapora, em Minas Gerais.

Todos os caminhos levaram ao cinema 


Foi em Pirapora que Maria passou boa parte da infância e adolescência. Aos 15 anos, mudou-se novamente, desta vez para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar em diferentes áreas para sobreviver: atuou em fábricas de gêneros alimentícios, indústrias farmacêuticas e tipografias. A virada em sua vida profissional aconteceu quando passou a trabalhar na Líder Cine Laboratórios, um dos mais importantes centros de revelação de filmes do país naquele período.

Na Líder Cine, Maria iniciou como funcionária e chegou ao cargo de chefe de expedição. Era responsável por receber os negativos dos filmes e devolver os copiões aos diretores — um trabalho técnico, mas estratégico. Foi ali que ela passou a conviver diariamente com jovens cineastas que, pouco tempo depois, se tornaram nomes centrais do Cinema Novo, como Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha e Cacá Diegues.

O encontro decisivo com o cinema aconteceu no início dos anos 1960, de forma quase casual. Durante uma pausa para o almoço no laboratório, Nelson Pereira dos Santos observou Maria e identificou nela a imagem exata que tinha de Sinhá Vitória, personagem criada por Graciliano Ramos. O convite para o papel, porém, não foi recebido com entusiasmo. Maria, então com quase 40 anos e ainda conhecida como Maria Ramos, resistiu. Temia perder o emprego e desconfiava de um cinema brasileiro pouco valorizado e cheio de incertezas.

Quem primeiro lhe contou sobre o convite foi Glauber Rocha. Ainda assim, ela só considerou a possibilidade depois de buscar autorização dos patrões porque era mãe solo de sua única filha, Wilma Lindomar da Silva, e precisava garantir estabilidade financeira. Os sócios da Líder Cine hesitaram, temendo que ela não retornasse ao trabalho após o filme. A situação só se resolveu com a intervenção do produtor Herbert Richers, cliente frequente do laboratório, que fez um pedido decisivo para que Maria fosse liberada. Para evitar confusões com o sobrenome de Graciliano Ramos, foi adotado o nome artístico Maria Ribeiro, aquele que entraria definitivamente para a história do cinema brasileiro.

| Foto: reprodução do filme Vidas Secas |


Atuação, realidade e o nascimento de um novo cinema 


O impacto de Vidas Secas foi imediato e duradouro. A atuação contida, firme e profundamente humana de Maria Ribeiro ajudou a consolidar o filme como um dos maiores clássicos do cinema nacional. A partir dali, ela participou de outras obras importantes, como A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), Os Herdeiros (1969), O Amuleto de Ogum (1974) e A Terceira Margem do Rio (1994), mantendo uma relação constante com o audiovisual até os anos 2000.

Seus últimos trabalhos no cinema foram o documentário Como Se Morre no Cinema (2002), no qual revisitou sua própria trajetória, e o longa de ficção As Tranças de Maria, dirigido por Pedro Carlos Rovai, inspirado em um poema de Cora Coralina e lançado nacionalmente em 2003.



Encontros no interior, nas telas e na escrita 


A história e a memória de Maria Ribeiro também foram acompanhadas de perto pelo jornalista Luis Osete, que ajudou a reconstruir sua trajetória. Em relato, ele conta que conheceu a atriz em 2010, por intermédio do jornalista Rafael Soriano, após um encontro casual envolvendo sua filha, Wilma. Naquele período, Maria tinha 87 anos e havia decidido retornar ao Brasil para viver mais próxima de sua terra natal. Instalou-se em Sobradinho (BA), onde realizou um antigo desejo de sua mãe: construiu uma capela dedicada a São Gonçalo em um povoado de Sento Sé.

Segundo Osete, a aproximação inicial tinha como objetivo a criação de um site biográfico —projeto que não avançou por questões contratuais, mas que deu origem ao curta-metragem Maria Ribeiro, vencedor da Mostra Regional do Vale Curtas 2010—. A partir daí, ele manteve contato próximo com a atriz, visitando-a sempre que ela retornava de suas longas temporadas na Europa. Em 2023, ano de seu centenário, publicou um texto sobre sua trajetória na seção Esquina, da Revista Piauí, que teve ampla repercussão.

O último encontro entre os dois aconteceu em outubro de 2024, quando Maria Ribeiro deixou definitivamente Sobradinho para viver em Madri e, depois, em Genebra. Osete acompanhou a atriz em uma despedida marcada por memória e afeto, revisitando lugares importantes de sua história pessoal.

Maria Ribeiro permanece como uma presença rara e essencial: uma mulher que atravessou o Brasil, os bastidores do cinema e a tela grande, deixando uma marca definitiva na história cultural do país.



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Iniciativa do Coletivo Ônibus disponibiliza gratuitamente obras de autores locais com acessibilidade e resgate da tradição oral

| Foto: divulgação |

O projeto Boca de Livro, desenvolvido pelo Coletivo Ônibus em Petrolina (PE), utiliza a tecnologia dos audiolivros para ampliar o alcance da produção literária do Vale do São Francisco. A iniciativa estabelece uma ponte entre autores regionais e o ambiente digital, consolidando atualmente dois títulos em seu catálogo: “Tábua de Marés”, de Cátia Cardoso, e o recente lançamento “Ato Contínuo”, de Elisabet Moreira.

As produções recuperam a prática de ouvir e contar histórias,e conecta a literatura regional aos novos suportes digitais. Mas, mais do que uma mudança de suporte, o projeto é desenhado para democratizar o acesso à leitura, atendendo públicos que enfrentam barreiras físicas ou educacionais, como pessoas com deficiência visual, idosos e cidadãos não alfabetizados ou em processo de alfabetização. 

Oralidade e Inclusão


A decisão pelo formato de audiolivro fundamenta-se na democratização do acesso à produção literária regional. O Coletivo Ônibus é composto por mulheres com trajetória nas áreas de educação e artes, como a professora e escritora Cátia Cardoso, e identifica no suporte sonoro uma ferramenta para transpor barreiras físicas e educacionais. 

A experiência profissional das integrantes permite que o projeto seja direcionado não apenas ao entretenimento, mas também como um recurso de inclusão. Essa perspectiva pedagógica e artística transforma o audiolivro em um instrumento de difusão que alcança públicos historicamente afastados do livro físico e em diferentes contextos de aprendizado.

“Rememora, de certa forma, a própria origem dos contos, né? Porque os contos, eles têm a sua origem em pessoas contando histórias em volta de fogueiras, em terreiros, em espaços noturnos em que as pessoas estão mais fragilizadas e as histórias eram, de certa forma, reconfortantes. Então, ouvir histórias é algo muito primordial e primário na nossa formação humana.” Diz Cátia Cardoso.

A voz de Elisabet Moreira


O lançamento mais recente do projeto é o audiolivro “Ato Contínuo”, da escritora e professora Elisabet Moreira. A produção não se limitou à leitura dos textos. A autora teve uma participação direta na construção do material sonoro, atuando na curadoria das vozes e registrando sua própria narração em pontos específicos.

De acordo com Cátia: “Ela entra no projeto, a contribuição é exatamente como autora do livro. Mas ela também participou do processo de seleção, ela foi jurada na seleção de leitoras lá no colégio. E ela também faz uma participação especial lendo partes do autorretrato. Então ela está nesses momentos no livro. É alguém que está na obra, né? Porque se é sobre o livro dela, não tem como a essência dela não perpassar todo o projeto.” 

Como ouvir e sugerir obras


As obras produzidas pelo Boca de Livro são de acesso gratuito e aberto ao público geral. O projeto segue em fase de pesquisa para selecionar os próximos autores da região que terão suas obras adaptadas para o formato sonoro.

O público também pode participar ativamente da continuidade do projeto sugerindo autores e obras do Vale através do perfil oficial do coletivo no Instagram. 

O conteúdo do projeto pode ser acessado através das plataformas Spotfy e YouTube.  



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 #arte #bahia #juazeiro #petrolina #shows #agendacultural

| Foto: Fernando Pereira |

A folia não para no Vale do São Francisco 😍 temos roteiros de ressaca do Carnaval de Juazeiro e as prévias do oficial que já tão rolando!

Trazemos uma sequência de dicas culturais para você curtir no Vale do São Francisco seja no carnaval ou fora dele.


🥰 Compartilhe pros amigos que vão pegar esse rolê com você!!!

✍️ @adriano.alves
📷 reprodução

❣️ Portal Culturama:
Este projeto foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal. Paulo Gustavo Bahia (PGBA) foi criada para a efetivação das ações emergenciais de apoio ao setor cultural, visando cumprir a Lei Complementar nº 195, de 8 de julho de 2022.


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Seleções e chamadas públicas que ampliam o acesso ao empreendedorismo criativo.

| Loja Afrocolab | Foto: Secom/BA |

Se você é artista, realizador(a), empreendedor(a) ou atua na cultura, no audiovisual, na música ou no empreendedorismo criativo, este é um bom momento do ano para ficar de olho nas oportunidades do mercado cultural.

Reunimos abaixo editais, mostras, festivais e chamadas públicas abertas em diferentes regiões do país, com foco em fortalecer a produção cultural, a diversidade, a geração de renda e o acesso a espaços de circulação. 

Confira as oportunidades, prazos e veja como se inscrever.

Loja Colaborativa AfroColab


O edital de seleção para a Loja Colaborativa AfroColab, que será instalada na Nova Rodoviária de Salvador, busca fortalecer a geração de renda, o empreendedorismo negro e indígena e o combate ao racismo por meio da valorização de produtos identitários.

Serão selecionadas até 20 propostas nos segmentos de moda, acessórios, artesanato, cosméticos, decoração e utensílios. As inscrições seguem até 10 de fevereiro de 2026, às 18h. 

Veja outros detalhes no formulário de inscrição. 

15ª Mostra Ecofalante de Cinema 


As inscrições para a 15ª Mostra Ecofalante de Cinema foram prorrogadas. 

Podem participar filmes brasileiros realizados a partir de 2024, independente de gênero ou duração:  temas ligados a questões socioambientais, povos tradicionais, questões étnico-raciais, questões de gênero, direitos LGBTQIA+, desigualdade social, ativismo, políticas públicas, cidade, entre outras.

Na categoria Competição Territórios e Memória, as inscrições vão até o dia 31 de janeiro. Já para o Concurso Curta Ecofalante, os interessados podem se inscrever até 15 de fevereiro. Os filmes selecionados receberão prêmios em dinheiro. Saiba mais detalhes neste link.

9º Festival de Música da Paraíba


Este ano o Festival homenageia o compositor e músico Luiz Ramalho, nascido em Bonito de Santa Fé/PB.

As inscrições podem ser feitas até o dia 13 de fevereiro de 2026, pelo formulário de inscrição online. Esta edição vai acontecer nos dias 22 de maio (1ª eliminatória), 23 de maio (2ª eliminatória), no município de Bonito de Santa Fé/PB, e 30 de maio de 2026 (Finalíssima), no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa-PB. 

Mostra Sesc Cariri de Culturas 2026


As inscrições estarão abertas de 12 de janeiro a 13 de fevereiro de 2026, destinadas a artistas e grupos de qualquer estado do país, desde que possuam um representante legal Pessoa Jurídica. 

A participação é gratuita e deve ser realizada exclusivamente pela internet, por meio de formulário disponível no site. Serão selecionadas propostas nas linguagens de Artes Cênicas (Teatro, Circo, Dança), Artes Visuais, Audiovisual, Literatura e Música.

Confira o edital completo aqui.

Edital Sesc RJ Pulsar 25/2026


O Edital Sesc RJ Pulsar reforça seu compromisso de democratizar o acesso à cultura, reconectar o artista com o palco, aproximar a relação dele com o público e impulsionar o fazer artístico em todas as suas esferas.

Os projetos selecionados receberão aporte financeiro para a realização da proposta apresentada, que deverá ser acompanhada de orçamento detalhado, cronograma, da documentação jurídica e técnica descrita no Edital e nos Cadernos Técnicos.

As inscrições são gratuitas e estarão abertas de 29 de janeiro de 2025 até 28 de março de 2025. Confira mais detalhes aqui.

Quarta que Dança — Circuitos Artísticos


O Edital Quarta que Dança – Circuitos Artísticos é voltado ao fortalecimento de circuitos de difusão da dança no estado da Bahia, conectando uma rede de espaços, artistas, produtores, técnicos e o público. 

Por meio do fomento à circulação de produções artísticas da dança e a realização de ações de formação, o edital se destina a promover o encontro e articulação da rede criativa da dança, estimulando relações de troca, interação e aprendizado mútuo.

As categorias são: Espetáculos de Dança, com bolsas no valor de R$100 mil; Trabalhos em processo de criação, com ajuda de custo de R$25 mil. Para se inscrever e obter outras informações, só acessar este link até o dia 06 de março de 2026. 
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Primeiro afoxé do Vale do São Francisco, Filhos de Zaze marcam carnaval de Juazeiro

| Afoxé Filhos de Zaze | Foto: reprodução |

O Afoxé Filhos de Zaze desfilou na Avenida Adolfo Viana no último dia do Carnaval de Juazeiro. Além de muita música, resistência, fé e combate à intolerância religiosa, o grupo também levou para o circuito uma luta muito importante: não ao feminicídio!

O Filhos de Zaze pede respeito por sua crença e, também, pela vida das mulheres.




✍️ @iasminas3
📷 reprodução

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Adriano Alves é jornalista por formação e artista por vocação. Passeia pelo Teatro, a Dança e produção em diversas linguagens. Escreve sobre o que gosta e o que quer entender melhor.

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