‘Qualquer Um é Um Zé’: Tio Zé Bá reflete sobre redes sociais e racismo em novo single
Faixa do EP ‘A Fresta’ usa o reggae para discutir a vida editada no ambiente digital e as desigualdades que persistem fora das telas
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| | Foto: reprodução do clipe | |
por Iasmin Monteiro
A banda Tio Zé Bá lança o single “Qualquer Um é Um Zé”, faixa que integra o EP ‘A Fresta’. Em ritmo de reggae, o trabalho articula crítica social, debate racial e propõe uma reflexão sobre a solidão em tempos de hiperconexão.
A música nasce da observação cotidiana de como a vida é construída e exibida nas redes sociais. “A gente vive num tempo em que tudo vira vitrine: o amor, a dor, a opinião”, afirma o vocalista e compositor Maércio José. Segundo ele, a canção parte da percepção de que vivemos uma espécie de existência híbrida.
“Hoje, a gente tem uma vida que acontece nas redes sociais, onde é possível usar filtros, bons enquadramentos e mostrar só a melhor versão, aquela que a gente imagina. E, por outro lado, tem a vida real, que continua acontecendo por trás das câmeras”, explica.
Essa dualidade aparece como eixo central da faixa. De um lado, a vida editada, cuidadosamente construída para exibição. Do outro, a experiência concreta, atravessada por contradições, violências e afetos. “É a vida que a gente sente na pele, com todos os seus prazeres e desprazeres”, completa o artista.
A crítica, no entanto, vai além do ambiente digital. A canção amplia o debate ao abordar desigualdades estruturais que persistem fora das telas. “A vida real ainda continua tendo racismo, homofobia, vários tipos de violência e escassez, principalmente de afeto, de amor, de carinho”, afirma Maércio.
Em um dos trechos mais contundentes da música, o verso “Dói ser preto, sim” evidencia como o trabalho conecta a experiência individual à realidade coletiva da população negra. Nesse contexto, a faixa também provoca uma reflexão sobre o papel das plataformas digitais, sugerindo que os algoritmos não são neutros e podem reproduzir desigualdades.
Para o compositor, “Qualquer Um é Um Zé” fala justamente dessa sensação de anonimato em meio à multidão digital. “É sobre ser só mais um perfil no meio de milhões, enquanto questões reais continuam atravessando nossas vidas”, diz.
O reggae aparece como escolha estética e política. Segundo ele, o gênero carrega historicamente uma tradição de consciência e crítica social, agora atualizada para dialogar com os dilemas contemporâneos. “A gente quis trazer isso para o agora, para a era do algoritmo e da solidão conectada”, afirmou.
O single já está disponível nas plataformas de streaming aqui. A canção também já tem um clipe que pode ser visto por meio do YouTube.


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