Mestre Roque Santeiro: arte, fé e legado do artesanato nordestino
Conhecido por suas esculturas religiosas, artesão marcou o Vale do São Francisco e formou novos talentos
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| | Artesão Roque Santeiro | Foto: Lizandra Martins | |
por Iasmin Monteiro
O artesão Roque Gomes da Silva, conhecido como Mestre Roque Santeiro, transformou madeira em arte sacra. Natural de Afrânio (PE), o artista construiu sua trajetória artística em Petrolina (PE), onde se tornou um dos principais nomes do artesanato local. Integrante da Oficina do Artesão Mestre Quincas, ajudou a fortalecer a produção cultural da região e a inspirar novas gerações de artistas.
A relação com o artesanato começou ainda na adolescência, quando, aos 15 anos, teve o primeiro contato com as carrancas do Rio São Francisco. O que começou como curiosidade em um trabalho escolar se transformou em profissão ao conhecer um artesão que o iniciou na prática. Durante mais de uma década, dedicou-se à produção dessas peças até descobrir, na arte sacra, o caminho que definiria sua identidade artística.
| | Foto: Lizandra Martins | |
Foi esculpindo santos e anjos em madeira que Mestre Roque ganhou reconhecimento dentro e fora do Brasil. Suas obras, que podiam chegar a um metro de altura, conquistaram admiradores em países como Alemanha e Japão. Presença constante desde a primeira edição da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Feincartes), ele também se destacou por compartilhar conhecimentos e formar novos artesãos.
“Eu gosto muito de passar a arte para as pessoas. Quero que elas sintam essa coisa boa que eu sinto quando faço arte”, afirmou em entrevista ao Portal do Artesanato de Pernambuco.
Neste 19 de março, quando se celebra o Dia do Artesão, relembrar a trajetória de Mestre Roque Santeiro é também reconhecer a importância de artistas que mantêm vivas a memória, a fé e a identidade cultural de seus territórios.
É possível escutar o mestre em entrevista à RTV Caatinga da Univasf:
O artesão morreu aos 66 anos, em fevereiro, após lutar três anos contra a leucemia. Seu trabalho está eternizado em cada peça que esculpiu e moldou ao longo dos anos. E seu nome foi o escolhido para o novo centro de artesanato na orla de Petrolina.
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