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Itinerância passa por espaços independentes e lares de idosos

| Foto: Richard Silvestre |

As poéticas ribeirinhas dançadas no espetáculo “Janelas Para Navegar Mundos”, do Coletivo Trippé, chegarão à mais quatro cidades de Pernambuco. Começa neste sábado (16) a primeira circulação estadual da obra, incentivada através do Funcultura. Os artistas desembarcam em Surubim (PE), no Agreste Setentrional, para realizar duas sessões gratuitas.


A primeira apresentação é aberta ao público e acessível em Libras. Será no sábado, às 20h, no espaço cultural Reduto Coletivo, um parceiro do projeto. Logo após, será realizado um bate-papo com os artistas e o público, permitindo uma troca de experiências entre as cenas de dança do interior do estado.


No domingo (17), o coletivo fará uma sessão especial no Lar Amélia França, às 15h. A ação dá continuidade ao programa de mediação cultural que o Trippé tem desenvolvido com dança e idosos, principalmente os que estão em abrigos, levando arte e acolhimento. 


“Estamos sempre repensando nossas rotas de circulação e dessa vez vamos para quatro cidades do estado, em todas com sessões abertas e outras para o público idoso. Nosso espetáculo foi criado a partir do afeto, da delicadeza das poesias ribeirinhas, e poder levá-lo para outros públicos é algo que nos empolga”, afirma Adriano Alves, diretor do espetáculo.



A circulação segue ainda em maio para Arcoverde (PE), no Sertão do Moxotó. Em uma segunda etapa, deve também passar por Garanhuns (PE), no Agreste Meridional, e Triunfo (PE), no Sertão do Pajeú.


Essa realização está sendo possível após aprovação do projeto no Edital Funcultura Geral 2023/2024, contando assim com o incentivo da Secretaria de Cultura, do Governo de Pernambuco, da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura).


Sinopse da obra:

O que acontece quando nos permitimos olhar? Contemplar o mundo em seus pequenos detalhes é momento de entendimento, de amplitude, de também se enxergar. Após um mergulho nas correntezas que são as palavras dos poetas da ribeira do São Francisco, entregamos em cena o que ficou úmido nos corpos que se propõem poéticos, nesse doce desejo de ser dança. Rasgos, memórias, nuvens, cheiros e um pouco mais do que até então nos habita deságua agora nessas janelas para que você trace sua própria rota de navegação. Viajemos!

 

Sobre o coletivo:


O Coletivo Trippé é um espaço que une desejos em comum, vontade de ser cena e afetividade entre corpos. Criado em 2011 com a união de novos criadores do forte movimento que transborda na ribeira do São Francisco, além de espetáculos, também vem investindo em projetos de pesquisa, produção de mostras e experimentações nas áreas de intervenções e performances. 


Serviço:



Espetáculo ‘Janelas Para Navegar Mundos’ + Bate-papo com artistas.

Dia 16/05/2026, às 20h.

Local: Reduto Coletivo, Surubim (PE).

Classificação Livre.

Acesso gratuito.


Espetáculo ‘Janelas Para Navegar Mundos’

Dia 17/05/2026, às 15h.

Local: Lar Amélia França, Surubim (PE).

Classificação Livre.

Acesso gratuito.



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Bailarino, pesquisador e gestor cultural desenvolve trabalhos que conectam cena, artes visuais e o imaginário do Rio São Francisco

| Foto: reprodução do filme 'Onde Ele Anda É Outro Céu |

por Eduarda Silva

Entre o corpo e o território, a dança de André Vitor Brandão se constrói como campo de atravessamentos, onde arte e a política caminham juntas. Nascido em Campo Formoso (BA) e radicado desde a infância em Petrolina (PE), o artista encontrou no Vale do São Francisco não apenas um lugar de formação, mas também o ponto de partida para uma trajetória em diálogo com o território.

Foi ainda na escola que começou a se aproximar das artes, integrando grupos de dança e teatro em um período de intensa movimentação cultural na cidade. Nesse contexto, passou pelo Brasílica de Dança e ampliou seu contato com artistas da cena local. Pouco tempo depois, em 2006, ingressou na Cia. de Dança do Sesc Petrolina, onde constrói uma trajetória de dezenove anos como bailarino e assistente de direção.

É nesse percurso que também se consolida uma de suas principais linhas de investigação: a presença do corpo masculino na dança. Ao refletir sobre o contexto do sertão, marcado por imagens rígidas de masculinidade, André passa a compreender o homem que dança como um corpo que desloca expectativas. 

| Foto: Thierri Oliveira |


Sua atuação com a Qualquer Um dos 2 Companhia de Dança contribui diretamente para esse debate, levando à cena trabalhos que abordam gênero, afetividade e desejo. Essa pesquisa também aparece no livro “O homem que dança: a presença do corpo masculino na dança contemporânea”, publicado em 2020.

Esse pensamento atravessa suas criações autorais. Na videodança “Para não dançar em segredo”, premiado pelo júri popular na Mostra Absurda de Cinema, o movimento aparece como forma de tensionar padrões e expor camadas invisibilizadas da experiência masculina. Já no solo “Onde Ele Anda é Outro Céu”, o artista estabelece um diálogo mais direto com as artes visuais, utilizando referências como René Magritte para pensar composição, luz e imagem dentro da cena.

A partir daí, a relação entre dança e artes visuais passa a operar de forma mais integrada em sua pesquisa. Em seus espetáculos e filmes-dança, os elementos visuais deixam de ser apenas suporte e passam a estruturar a criação, organizando o espaço e orientando o movimento.

Esse mesmo princípio se desdobra nos trabalhos solos mais recentes. Em “Nêgo d’água”, o processo parte de investigações no corpo e de relações com o espaço, a memória e o território. Ainda que esteja sozinho em cena, o trabalho se constrói a partir de referências coletivas e de uma escuta contínua do que emerge durante a criação. Nesse sentido, o corpo é pensado em relação com o imaginário e com as cosmologias ligadas ao Rio São Francisco.

A relação entre o individual e o coletivo, aliás, atravessa toda a sua trajetória. Mesmo nos solos, a experiência com grupos e companhias segue presente, fazendo com que cada trabalho seja atravessado por encontros, colaborações e trocas acumuladas ao longo do tempo.

| Foto: Nohara Serafim |


Paralelamente à criação artística, André desenvolve um trabalho na área de gestão cultural. No Sesc, onde atua desde 2010, coordena ações que envolvem curadoria, formação e circulação artística, incluindo projetos na Galeria de Artes Ana das Carrancas. Entre as iniciativas, está a Mostra Flutuante de Artes Visuais, criada em 2012, que leva exposições em um barco pelas margens do rio, conectando cidades e comunidades ribeirinhas e ampliando o acesso à produção artística.

Essa atuação também se estende a projetos voltados à economia criativa e à formação cultural em diferentes territórios do Vale do São Francisco, como ações desenvolvidas na Ilha do Massangano e em comunidades quilombolas, articulando cultura, educação e geração de renda.

Ao olhar para a cena de dança da região, André reconhece um crescimento nos últimos anos, com a ampliação de grupos, artistas independentes e ações formativas. Ao mesmo tempo, aponta a necessidade de fortalecer redes entre artistas, instituições e políticas públicas, de modo a garantir continuidade e maior articulação entre as iniciativas.

Entre a criação e a gestão, seu percurso se organiza a partir dessas conexões. Mais do que percorrer linguagens diferentes, o artista constrói um trabalho em que corpo, imagem e território se encontram como parte de um mesmo processo.



| Foto: Thierri Oliveira |

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Programação oferece atividades formativas para crianças, jovens e adultos no Centro de Cultura João Gilberto

| Foto: NED |

por Eduarda Silva

O Núcleo de Estudos em Dança (NED) promove, ao longo do mês de abril, uma série de oficinas gratuitas de dança no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro (BA). As atividades integram a programação formativa da 7ª edição da Mostra Juazeiro Tem Dança e são voltadas para diferentes públicos. A inscrição pode ser feita através do formulário disponível no Instagram do núcleo.

Abrindo a programação, a “Oficina de Performances Populares, Tradicionalidade e Condicionamento Físico”, ministrada por Marcos Aurélio da Companhia Balançarte, será nos dias 11 e 12 de abril. A atividade propõe um mergulho nas expressões populares aliadas ao preparo físico, fortalecendo o corpo como instrumento de criação.

No dia 12 de abril, o público infantil participa da oficina “Corpo em Descoberta - Brincar, Criar e Dançar” conduzida por Dijma Matos do NED. A ação é voltada para crianças de 4 a 8 anos e estimula a imaginação, a expressão corporal e o contato lúdico com a dança desde a infância.

Já nos dias 18 e 19 de abril, a oficina “Plantando raízes, colhendo movimento” oferece uma iniciação à dança afro-brasileira para participantes a partir de 5 anos. Ministrada por Itala Naiane e Dijma Matos, a atividade propõe a valorização das matrizes culturais afro-brasileiras por meio do movimento.

Também nos dias 18 e 19, haverá a “Oficina de Dança do Ventre: Arte e Expressão através dos Movimentos” com Tamara Ross. A proposta trabalha o equilíbrio entre força e leveza, explorando a consciência corporal e a expressividade.

As atividades antecedem a programação principal da mostra, que será realizada nos dias 24 e 25 de abril. Todas as oficinas são gratuitas e oferecem certificação.



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Evento do NED seleciona trabalhos de artistas da região; inscrições até 22 de março

| Foto: divulgação do NED |

O Núcleo de Estudos em Dança (NED) abriu inscrições para a 7ª edição da Mostra Juazeiro Tem Dança, que será realizada nos dias 24 e 25 de abril, em Juazeiro (BA). Realizada no mês de abril, em referência ao Dia Internacional da Dança (29), a mostra tem como proposta ampliar a visibilidade da produção em dança e fortalecer a circulação de trabalhos locais.

Podem se inscrever artistas, grupos, coletivos, companhias e nomes independentes do Vale do São Francisco. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 22 de março, por meio deste formulário. O resultado da curadoria será divulgado no dia 4 de abril, nos canais oficiais do projeto.

A mostra é aberta à participação de diferentes perfis de artistas e busca valorizar especialmente a produção local e descentralizada. A seleção será feita pela equipe organizadora com base nos materiais enviados no ato da inscrição.

Entre os critérios considerados estão a diversidade de linguagens, a participação de diferentes perfis de artistas, a valorização da produção local e a adequação técnica das propostas. Os trabalhos selecionados irão compor a programação oficial da mostra.

Além das apresentações, o evento propõe a troca de experiências entre participantes e o estímulo à formação artística, compreendendo a dança como linguagem cultural, social e política.



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Grupo de matrizes africanas Obá Ayiê circula com espetáculo e oficinas gratuitas

| Foto: divulgação |

Neste mês de janeiro, o grupo de matrizes africanas Obá Ayiê realiza o projeto "No Caminho das Águas - Do Litoral ao Sertão" entre o sertão e agreste de Pernambuco. O projeto promove uma conexão profunda entre a ancestralidade e o público, levando o espetáculo "Rainha das Águas, Mãe do Mar" e a oficina "Do Toque ao Passo". Todas as atividades são gratuitas e contam com tradução em Libras.

Serão contempladas quatro cidades: Bodocó, Santa Maria da Boa Vista, Bezerros e Garanhuns. Segundo os produtores, o objetivo é fortalecer a cultura de matriz africana dentro do estado de Pernambuco, combatendo o racismo e a intolerância religiosa através da arte e da ocupação de espaços públicos, terreiros e centros culturais.

| Foto: divulgação |

A oficina "Do Toque ao Passo" oferece uma experiência prática e educativa conduzida pelos integrantes do Obá Ayiê. Nela, o público aprende a executar toques tradicionais em tambores e atabaques, além dos movimentos de dança associados aos orixás, em uma transmissão de saber baseada na oralidade e na experimentação.

Já a performance "Rainha das Águas, Mãe do Mar", que tem Iemanjá como figura central, funde música e dança com inspiração no Candomblé e no Afoxé.  Estreado em 2019, a obra é um convite ao encantamento e ao conhecimento da riqueza do panteão africano.

Serviço


Bodocó


Oficina "Do Toque ao Passo"
Data: 8 de janeiro de 2026
Local:  Sesc Ler Bodocó (Rua Luzia Couto Lossio de Alencar, s/n, Bairro São Francisco)
Horário: 18h30

Espetáculo "Rainha das Águas, Mãe do Mar"
Data: 9 de janeiro de 2026
Local: Sesc Ler Bodocó (Rua Luzia Couto Lossio de Alencar, s/n, Bairro São Francisco)
Horário: 18h30

Santa Maria da Boa Vista

Oficina "Do Toque ao Passo"
Data: 10 de janeiro de 2026 
Local:  Rua Nunes Machado,  centro (Poste Grande - ponto histórico do município) 
Horário: 16h

Espetáculo "Rainha das Águas, Mãe do Mar"
Data: 11 de janeiro de 2026 
Local: Rua João Paulo II - Orla da Maçanzeira
Horário: 18h

Bezerros

Oficina "Do Toque ao Passo"
Data: 15 de janeiro de 2026 
Local: AFABE - Associação dos Filhos e Amigos de Bezerros (Rua Vigário Manoel Clemente 136, Rosário)
Horário: 19h

Espetáculo "Rainha das Águas, Mãe do Mar"
Data: 16 de janeiro de 2026 
Local: AFABE - Associação dos Filhos e Amigos de Bezerros (Rua Vigário Manoel Clemente 136, Rosário)
Horário: 19h

Garanhuns 

Oficina "Do Toque ao Passo"
Data:  17 de janeiro de 2026 
Local:  CASA UFAPE (R. Padre Agobar Valença, 145 - Severiano Moraes Filho)
Horário: 18h

Espetáculo "Rainha das Águas, Mãe do Mar"
Data: 18 de janeiro de 2026 
Local: CASA UFAPE (R. Padre Agobar Valença, 145 - Severiano Moraes Filho)
Horário: 18h



 

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 Evento celebra a força da coletividade e homenageia o legado do bailarino Ailton Marcos

| Foto: redes sociais |

Ocupando espaços que promovem a cultura em Petrolina (PE), a Mostra 14 de Dança, realizada desde 2009 na região, começou nesta segunda-feira (8). A programação vai até domingo (14) na Casa Cores e no Teatro Dona Amélia, no Sesc Petrolina. Grande parte das ações é gratuita e aberta a todos os públicos. 

Em sua 14ª edição, o evento traz o tema “Corpos em Faísca”, propondo uma reflexão sobre coletividade e o trabalho em grupo, como um espaço onde tensões, encontros e diferenças acendem novos modos de criar e se mover.

O projeto homenageia o bailarino Ailton Marcos, um dos grandes nomes da dança na região, que faleceu em 2009. 

PROGRAMAÇÃO


12/12 | 20h | Casa Cores | Pague o quanto puder | Livre
Conversa de Boca Cheia: Corpos em Faísca – acendendo encontros, faiscando danças

13/12 | Teatro Dona Amélia | 20h | R$ 15 (meia) e R$ 30 (Inteira) | Livre
Estreia do espetáculo: Pedra de Fogo - Qualquer um dos 2 Cia. De Dança

14/12 | 18h | Casa Cores | Pague o quanto puder| Livre
Mostra de Dança Ailton Marcus



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Jornalista, repórter em TV e impresso. Pernambuco-Bahia.

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