Coletivo Abordagem Teatral ocupa o Centro de Cultura João Gilberto nos dias 25 e 26 de março
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| | Arte de divulgação | |
por Eduarda Silva
O teatro em Juazeiro retoma um de seus gêneros mais populares nesta semana. O espetáculo “O Anúncio”, do Coletivo Abordagem Teatral, estreia hoje no Centro de Cultura João Gilberto. Trazendo de volta a comédia de costumes, a peça estará em cartaz a partir das 20h nos dias 25 e 26 de março.
O grupo, que trabalha com autores do Vale do São Francisco desde 2004, aposta no resgate da memória cultural da região. Para Elder Ferrari, criador e diretor do grupo, a peça é um elo com o sucesso do gênero em décadas passadas.
“O Anúncio” transforma o cotidiano em gargalhadas ao abordar como um simples anúncio de relacionamento vira fofoca, notícia distorcida e fake news. O enredo brinca com os meios de comunicação e traz elementos da identidade juazeirense, como a Praça do Boi e referências a Luiz Galvão, convidando o público a “ler as letras miúdas” da era digital.
“Nós somos de uma geração anterior que vimos a comédia de Juazeiro lotar teatros aqui durante os anos 90. A gente tem essas lembranças e a gente veio agora, nesse momento, trazer um pouco dessa comédia de costume que foi de sucesso nos anos 90 e no início dos anos 2000”.
Além do resgate do estilo, a montagem homenageia figuras que construíram a cena local. “Acho que é importante trazer a memória de Cláudio Damasceno, de Jorge Gargamel, de Wellington Monteclaro. E dizer que nós continuamos fazendo. Eles deixaram esse legado que é para a gente continuar e dar a Juazeiro tudo aquilo que o Juazeiro merece”.
A estreia ocorre estrategicamente durante a semana em que se celebra o Dia do Teatro (27 de março). Além da celebração artística, o momento levanta discussões sobre as políticas públicas para o setor no Vale do São Francisco.
Ferrari pontua que a política de territorialização de recursos ainda enfrenta obstáculos. “A gente vê que 80% dos projetos contemplados são da capital. Então o interior da Bahia não está sendo contemplado como deve”, observa o diretor, reforçando a necessidade de leis de incentivo municipais com recursos próprios para fortalecer os artistas da região.
“A gente vem fazendo um trabalho de resgate, de trazer o público novamente de volta para assistir os espetáculos locais [...] e trazer novamente para o costume da sociedade juazeirense ir ao teatro, que sempre foi”.
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